A Importância de Testes e Simulações na nova indústria da mobilidade

Correio Mecânico
dezembro09/ 2020
*por Fabio Peake Braga

Testes e Simulações garantirão a qualidade e segurança dos produtos do futuro. O cenário atual exibe profundas mudanças em todos os modos de movimentação de pessoas e cargas para adaptarem-se ao que já chamamos “novo normal”. Até aqui os motores de combustão interna mostraram admiráveis melhorias em rendimento e na redução de emissões e, agora, a eletrificação emerge entre os sistemas de propulsão como solução aos novos e exigentes requisitos de emissões de gases de efeito estufa.

Sim, a mobilidade elétrica avança no mundo e no Brasil, trazendo a necessidade de análise e soluções para questões relacionadas a essa importante mudança tecnológica, que não se restringe apenas ao transporte terrestre, mas avança a largos passos também nos setores aeroespacial e naval.

Em paralelo, o aumento exponencial da capacidade computacional tornou simulações possíveis em frações de segundo. Novas formas de trazer afidelidade necessária às ferramentas de simulação e certificação, como o Hardware In the Loop (HIL), técnica usada no desenvolvimento e teste de sistemas embarcados complexos em tempo real, estão disponíveis, além da simulação de condições de uso com interação de veículos entre si e deles com o ambiente externo.

Ferramentas de “machinelearning” e “cloudcomputing”que serão bases para o desenvolvimento de cidades inteligentes, gestão de tráfego de veículos autônomos, entre outras aplicações relacionadas com a mobilidade do futuro, já são realidade, e certamente impulsionarão em âmbito global soluções locais para o atendimento às diferentes condições de uso de veículos leves e pesados.

Todos esses recursos já bastariam para nos chamar à nossa responsabilidade de fazer com que o Brasil, por apresentar condições mais severas do que aquelas dos países em que grande parte dos veículos foram concebidos, não fique fora de todo esse movimento. E essa é uma tarefa que exigirá muito trabalho da engenharia automotiva brasileira para adequá-los ao seu uso aqui.

Na velocidade de transformações em que vivemos, testes e simulações são cada vez mais necessários para simular em laboratório e campos de prova, físicos ou virtuais, todas as situações que poderão se apresentar na vida de veículos em todas as condições de uso seja nas cidades, nas rodovias pavimentadas de alta velocidade, nas difíceis estradas do interior mais distante, nas fazendas ou em campos de mineração.

Outro setor de mudanças impressionantes é o de sistemas de direção autônoma. Muitos veículos novos já estão no mercado dotados de sistemas de automação dos graus 1, 2 e até 3 da escala de autonomia veicular da SAE. Os desenvolvimentos de Advanced Driver Assistance Systems (ADAS) já oferecem em veículos de passageiros e de carga sistemas de segurança que mantêm a direção dentro das faixas nas vias, controles inteligentes de velocidade, sistemas de frenagem de emergência, controle de estabilidade, assistência para o estacionamento, entre outros. O uso de veículos autônomos em aplicações agrícolas e de mineração abre oportunidades para aplicações urbanas, em cidades e estradas.

O momento é importante e o debate de todas essas questões é indispensável para o Brasil. Essa é a proposta para que as demandas por segurança e eficácia sejam atendidas pela engenharia com o uso cada vez maior de testes e simulações.

*Fábio Peake Braga é engenheiro mecânico e membro do comitê organizador do 18º Simpósio SAE BRASIL de Testes e Simulações

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